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(+18) Lado B: Higanbana no saku yoru ni

Mais tarde do que o esperado, mas a coluna volta. E volta pequenas modificações em relação ao primeiro Lado A, voltado a shoujos e joseis. Dessa vez pretendo reduzir os spoilers e, se conseguir, torná-los inexistentes no texto. Mas, vamos lá ao meu lado B: horror, suspense, gore e tudo isso que faz bem ao coração da gente.

Higanbana no Saku Yoru ni é um mangá escrito por Ryukishi07, membro da 07th Expansion (produtora dos jogos Higurashi no Naku Koro ni e Umineko no Naku Koro ni) e ilustrado por Ichirou Tsunohazu e lançado na Monthly Dragon Age desde Maio de 2010, ainda sendo serializado no seu quarto volume. A própria 07th Expansion adaptou o mangá para jogo em 2011, mangá o qual foi a primeira obra a ser trabalhada dessa forma por R07 e pela 07th Expansion.

Higanbana no Saku Yoru ni – The Unforgiving Flowers Blossom in the Dead of Night (A noite em que os lírios vermelhos florescem – As imperdoáveis flores florescem na calada da noite) se trata de pequenas histórias de terror envolvendo alunos ou funcionários de uma escola não nomeada, que possui vários yokais, em que cada um reivindica para si um “mistério”. Esses mistérios desenrolam a história, onde cada yokai interage com um pelo menos um personagem, influenciando em seus problemas sociais e psicológicos, que abordam principalmente o bullying.

Além dos conflitos entre os humanos, ainda temos os conflitos entre os yokais que disputam os territórios da escola em que se passa a história. Temos no total de sete mistérios na escola e os yokais batalham entre si para possuí-los, sendo que aquele que sair vitorioso se torna o causador do mistério e deve matar qualquer pessoa que tente investigá-lo.

Agora sim, aí está a base da história, que se estrutura em “arcos” que exploram a particularidade de cada caso envolvendo yokais e humanos. Logo no primeiro caso temos a difícil vida da menina Marie Moriya, que além de alvo de bullying pelos colegas, é vítima de pedofilia pelo professor do qual ela esperava um auxílio para os seus problemas. Marie é abusada pelo professor no banheiro de um prédio velho do colégio e, após o ato sexual forçado a criança chora ainda nua pela sua desgraçada vida. Por causa disso, de sua trágica história surge um oitavo yokai chamado Mesomeso-san, uma onomatopeia japonesa que retrata choros e soluços. O posto de yokai é oferecido a Marie por Higanbana (não vou contar como ocorreu, claaaaro! Fica a descoberta para quem sentir vontade de ler), um demônio em forma de boneca ocidental que se encontra na enfermaria da escola e é o terceiro mais poderoso yokai do local. Segundo a lenda japonesa, Higanbana (ou então Dancing Higanbana) é uma boneca que durante toda a noite dança sozinha pela escola e que mata qualquer um que a flagrar dançando. Na metade de seu segundo volume, Higanbana entra em sua segunda história envolvendo outros estudantes em outro contexto, mas que ainda se desenvolve no mesmo ambiente.

As cenas do mangá podem ser fortíssimas para um leitor “comum”, com um desenho obscuro das cenas de estupro, que desumaniza completamente o professor tornando-o quase demoníaco ao ser retratado no papel. Impressiona e pode se tornar angustiante tanto pela crueldade da história e pela forma que ela é tratada, sem perdoar nas cenas de violência física e/ou sexual e criando um clima aterrorizante através dos cenários de uma escola cercada de mistérios, por seus personagens desumanizados e pelo seu roteiro que aborda uma realidade cruel. Algo negativo em Higanbana é uma descontinuidade da história de um arco para outro, perdendo certa fluidez da história, tudo por se tratar de contos de terror e não uma história linear. Esse efeito que o mangá traz é bem típico das obras da 07th Expansion, que após confundir a mente do público, vai apresentando fatos sutilmente até chegar na completa resolução do mistério, após impressionar nos ápices de cada arco.

Agora, para quem já é acostumado com esse tipo de leitura e já tem contado com obras com essa abordagem, pode ver em Higanbana “mais um”. Mesmo com uma forte mensagem sobre bullying e outro temas polêmicos, o mangá não se faz tão envolvente quanto histórias mais contínuas e que possuem mais espaço para trabalhar seus personagens e suas relações, mas tem tudo aquele básico que você procura num horror de qualidade: problemas complexos, mistérios com pelo menos um mínimo de envolvimento e cenas angustiantes que eu sei que vocês também gostam.

Interessou-se e quer ler o mangá? Infelizmente a tradução para português está bem lenta, mas você pode ler até o capítulo 3 aqui. Ou então baixar em inglês aqui, onde está traduzido até o capítulo 16.

Sobre Laris

Les livres sont des amis froids et sûrs. @c_larksi

2 comentários em “(+18) Lado B: Higanbana no saku yoru ni

  1. Se eu posso falar que tem uma mangá forte no mercado hoje, é esse ai.
    Ele mexe muito com o psicológico.

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