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Resenha – Ben-to e a guerra por honra e… comida

“Ali eu estava, onde as pessoas não mais ousavam se aventurar, como se um toque de recolher tivesse sido baixado que apenas os loucos e aqueles sem medo ousavam quebrar. Apenas os cantos dos olhos eram capazes de perceber as presenças e bombardeavam meus nervos me avisando do perigo iminente.

Todos deixamos nossa humanidade de lado assim que cruzamos a porta de entrada, apenas o pouco papel timbrado em nossos bolsos nos lembrava de nossa humanidade, aqui quem reina são as bestas. A fome nos tirou tudo aquilo nos fazia fracos deixando apenas a vontade férrea dos desesperados.

Os passos de nosso benfeitor nem se ouviam mais, para além da porta que ruidosamente se fechava pronta para romper o ultimo fio que nos ligava as convenções sociais. Uma mortalha de ferro se baixou sobre sobre nós, abafando todo o som a não ser aquele ruido, e quando este se transformou no clic do fechar da maçaneta, não havia mais nada. Os passos, os empurrões, os gritos foram sugados para sabe-se lá Deus onde, mas esqueceu de levar a dor. A dor dos músculos se resetando, do esforço sobre-humano, da carne atingindo a carne, dos ossos se segurando para não romper… do rugir dos lobos.

A temporada de caça estava aberta e era hora de buscar o jantar…”

Esta passagem não foi escrita por alguém que assina como Asaura e que publica desde 2008 as novels de Ben-to, mas claramente poderiam sair dos dedos do autor. O épico de sangue, suor e marmita, THIS IS BEN-TOU!

Um pobre estudante (nos vários sentidos) You Sato se muda para cursar o ensino médio e vai morar nos dormitórios do colégio. Sendo o fodido que é, só tinha uma merreca para comprar o pão de cada dia e assaltado pela fome vai para no mercadinho perto da escola. Qual não o foi o tamanho da surpresa do rapaz quando ele viu uma cobiçada marmita (Obentou) pela metade do preço – estas coisas são caras no japão – e encarando suas poucas moedas viu que poderia enfim pagar por uma boa refeição… mas isto foi antes.

A história começa com o rapaz estirado no chão, surrado e bem surrado, do tipo que até perdeu a memória. A medida que ele recupera a memória ele descobre que participou de uma terrível luta até morte (quase) que ocorre todos os dias na lojinha para decidir quem vai levar a comida em promoção.

Cara cool na capa… claro que não é protagonista!

Imagino que isto tenho soado surreal para os japas que assistiram o anime, mas aqueles de nós que cursaram seus anos iniciais em qualquer colégio público deste país… as lutas por comida ainda são uma memória viva e gravada a cotoveladas. O surreal para mim é a organização que isto tem no anime, provando mais uma vez que aqueles malditos japas são uns viciados em controle, eles pegaram o caos social e transformaram em um clube da luta.

1# regra do Clube do Obentou – Não se comenta do clube do obentou!

2#- Cada um só pode pegar um ben-to para si.

3#- você deve esperar fora da área de combate até que os consumidores usuais e os funcionários da loja tenham se retirado.

4#- se alguém pega um ben-to… é dele e ninguém mais tasca mão.

5#- VOCÊ NÃO ESTRAGA O BEN-TO!!!

Sujeitos a estas regras, os valentes esfomeados competem, por glória e uma refeição quente. Os maiores dentre eles recebem nomes de guerra (igual os travestis da sua cidade), mas todos aqueles que competem com honra são chamados de lobos.

O ponto de virada da série se dá quando o protagonista encontra a kuundere do anime, chamada mui apropriadamente de Bruxa da Gelo, que é a presidente do “Half Priced Food Lover Club” (em bom português; Clube dos amantes de comida pela metade do preço) aonde logicamente o rapaz vai parar. A partir dai é o que todo mundo sabe, novas garotas vão se adicionando ao harém do protagonista e novas batalhas são travadas ao decorrer dos 12 episódios da série.

Não irei mentir para vocês, a premissa é a melhor coisa da série de longe, fico até triste de dizer que não raro os personagens não fazem jus a genialidade da proposta e muitas vezes, nem a animação.

Ben-tou foi feito pelo estúdio David Production, fundado pelo ex-presidente do estúdio Gonzo. A técnica do estúdio já era bem apurada na época e desde então tem se mostrado dono de uma enorme habilidade de se trabalhar com pouco, mas obtendo resultados muito bons. A critério de comparação, foi ele que animou Inu X Boku SS e está atualmente a cargo do anime de JoJo, mas Ben-to, por melhor que seja ainda não apresenta a finesse destas obras.

De qualquer forma… eu recomendo facilmente Ben-to para vocês e afirmo com toda certeza de que foi uma das maiores surpresas do ano de 2011 e um anime que felizmente foge dos padrões reinantes no atual mercado de animes.

Um comentário em “Resenha – Ben-to e a guerra por honra e… comida

  1. Ben-to é MTO legal e engraçado, comédia non-sense das boas, só a plot já faz rir

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