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Um Slice of Life… de bruxas?! Conheça Flying Witch!

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Flying Witch é um mangá de Ishizuka Chihiro, baseado num oneshot homônimo de sua autoria (que assinou com o pseudônimo Ishioka Chikai), em publicação na Bessatsu Shounen Magazine (mesma de Aku no Hana e Shingeki no Kyojin) desde Outubro de 2012. Atualmente conta com 6 capítulos lançados.

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(Essa review contém uns spoilers bem leves, mas nada que prejudique a leitura do mangá.)

  • Sinopse

O mangá fala de Kowata Makoto, uma garota meio estabanada que acabou de se mudar (junto com seu gato, Shade – ou “Sombra”.) para uma cidade do interior do Japão. Ela passa a viver na casa do seu “primo em 2º grau” Kei, junto com os pais dele e Chinatsu, a irmã caçula de Kei. E tudo parecia correr normalmente até que Chinatsu começa a estranhar o comportamento da Makoto (ela estava conversando com o gato). Não demora muito até que ela descobre que Makoto é uma bruxa e Shade é o familiar dela. E ao contrário do que o senso comum diria, ela pareceu curtir bastante isso.
Acontece que as bruxas estão há muitos anos ocultas das pessoas comuns e são uma espécie de grupo social no qual as meninas, desde jovens, começam a aprender as artes da bruxaria e feitiçaria. Só que quando viram adolescentes, são mandadas para a sociedade, para interagirem com as pessoas normais, mas sem revelar o que são de verdade (exceto para suas famílias e parceiro). Mas Makoto esqueceu desse detalhe e deixou escapar sua identidade.

  • O Enredo

Um ponto importante é o modo como o Ishizuka escreveu a relação dos personagens com a recém-apresentada bruxa, mais precisamente a surpresa breve e a quase total ausência de ceticismo deles (dos que não conheciam o fato, claro), que funciona tanto para direcionar a trama quanto para evitar situações desnecessárias ao desenvolvimento. Essa suspensão de descrença chega a ter um efeito cômico também.
Exceto o Kei, ninguém mais sabia do segredo da Makoto, então as únicas personagens afetadas pela revelação transcrevem um pouco a sensação do leitor ao se deparar com essas situações extraordinárias. No caso, a Chinatsu e a Nao (colega de escola de Kei e Makoto), mesmo que o modo como elas lidam seja bem diferente. Enquanto Nao tem a reação de estranheza, a Chinatsu fica toda empolgada. E eu me senti justamente como as duas (e essa ordem, primeiro como a Nao, depois como a Chinatsu).

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Nao e Chinatsu reagindo normalmente😄 (Chinatsu: “Você viu isso, Kei?! Nós voamos no céu! No céu!!”; Kei: “Sim, eu vi. Aquilo chacoalhou você?”)

E é assim que o mangá é levado. Depois de se apresentar como bruxa, Makoto passa a participar do dia-a-dia daqueles personagens e pouco a pouco, os elementos fantásticos começam a aparecer, como quando Makoto presenteia Nao com uma mandrágora no capítulo 2 (um gesto de amizade entre as bruxas, já que ela é uma planta que pode ser usada para fazer um tônico muito poderoso) e quando a bruxa recebe, no capítulo 5, a visita do “mensageiro que traz a primavera” que é visto por Chinatsu e causa medo nela.
Nesse último há o desenvolvimento que eu achei mais interessante, por causa da interação entre a Chinatsu e o Mensageiro, que é marcada primeiro pelo espanto e depois por um ganho gradativo de confiança graças a Makoto, que conta à garotinha que aquele ser é o responsável por trazer a bela primavera japonesa todos os anos. Mas só quando ele já parte, deixando um vasinho de flores para Chinatsu, é que ela finalmente passa a gostar do mensageiro. O capítulo acaba com ela perguntando a Makoto se ele voltará no ano seguinte.
A pequena sacada desse capítulo é que ele dá a entender como o autor pretende levar a história, com o mensageiro sendo uma metáfora para todo o mundo místico que cerca os humanos e é desconhecido por eles. A Chinatsu personifica ambas a surpresa e o deslumbramento da descoberta. Ou seja, a história não é só sobre relação entre os mundos humano e o místico, mas também sobre contemplação. Como deixamos passar pequenos e “mágicos” momentos porque temos receio ou medo ou simplesmente não prestamos atenção, quando na verdade ele só quer nos dar um vasinho de flores.

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1- “Uau! É tão bonitinho!” 2- “Onde você pegou?” “É o presente do mensageiro para você.” 3- “Ele espera que você não o odeie mais.” 5- “Mako… ele volta no ano que vem?”

  • A Arte

Acho que outro ponto que vale a pena comentar é a arte (que evoluiu bastante desde o oneshot) e a narrativa. Ok, tá certo que ela não é lá muito original, mas isso não faz com que ela seja um ponto negativo, pelo contrário. O Ishizuka usou um traço simples, com um quê de moe e que faz seus personagens lembrarem bastante os da Kyoto Animation. Bom uso de expressões faciais também, que são sutis o suficiente para não quebrar o clima de “cotidiano” (e certo bucolismo), mas sem perder a veia cômica.

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Makoto x Chitanda (de “Hyouka”). “Watashi kininarimas… n pera.”

No mais, o mangá é bem escrito para o que se propõe, ainda que a relação das bruxas com as pessoas normais seja meio superficial, ele evoca uma atmosfera e personagens envolventes. E isso aliado ao bom pacing e ao desenvolvimento interessante, faz com que Flying Witch seja um mangá bem agradável e simpático (que me deixou com um sorriso bobo ao fim de cada capítulo).
Se eu recomendo? Claro! Se você sabe ler inglês ou espanhol (não sei de nenhum scanlator que esteja traduzindo para português), você pode conferir por aqui: Link
Por enquanto é só. Comente aí em baixo falando o que achou. Até a próxima!

Por @paulostein

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