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Quer brincar comigo, Totoro?

Já comentei em outro post meu que passo longas horas assistindo filmes, animes etc. Qualquer coisa que me interesse, mesmo sendo estúpido, pseudo-cult ou blockbuster. Também sou do tipo que se gosta muito de algo, vai pesquisar toda a ficha técnica, sabe quem é o diretor, atores etc. No entanto, confesso que demorei a fazer a resenha deste filme por não ter palavras. E, ora, sou uma faladora! Meus 20.716 tweets mostram muito bem esse meu lado. E… bom, adorei Tonari no Totoro! Do início até o fim. E por algum tempo não tive palavras para descrevê-lo; e olha que sentei várias vezes no PC para rascunhar alguma coisa: escrevia um parágrafo aqui outro ali. Mas não importa, vamos direto ao ponto. Aqui vão minhas impressões sobre este filme maravilhoso do ganhador de vários prêmios (incluindo o Oscar de animação por Sen to Chihiro no Kamikakushi – A Viagem de Chihiro), Hayao Miyazaki. Cuidado! Spoilers abaixo, amores!

Lançado em 1989, Tonari no Totoro (ou Meu amigo Totoro na tradução PT-br) conta a história das irmãs Mei e Satsuki Kusakabe que se mudam com o seu pai, professor universitário, para um vilarejo no interior do Japão a fim de ficarem mais perto da mãe que está bastante doente num hospital próximo. A partir dessa premissa, as garotas passam a interagir com o ambiente rural, com as pessoas e as lendas e crenças que permanecem no ar – mesmo que a modernidade já esteja presente.

Porém, a família Kusakabe não parece sentir falta das cidades e se adaptam muito bem ao novo lar, especialmente as garotas: enquanto Satsuki vai à escola e o pai trabalha em sua pesquisa, a pequena Mei aventura-se pelo jardim, descobrindo uma pequena criatura… bem esquisitinha. E como toda criança, super curiosa, a pequena acaba conhecendo “Totoro” (Totoro porque ela não consegue pronunciar direto Tororo), um espírito que vive na floresta que rodeia a pequena vila. Satsuki ainda estava na aula e só conhece Totoro depois em uma noite chuvosa ao esperar o pai chegar do trabalho. Eles se encontram na parada de ônibus, onde Suki-chan (-q) presenteia Totoro com um guarda-chuva. Essa é, com certeza, uma das cenas mais memoráveis do filme para mim! É quando aparece, também, o inusitado CatBus (MOKONA QUE ME PERDOE MAS O CATBUS É UMA FOFURA SÓ!!!). Quem assistiu sabe e quem vai assistir saberá. Bem, após esse encantador e estranho encontro, as irmãs passam a ter aventuras de todos os tipos, além do que poderiam imaginar.

Simples, não? Há quem diga que este é o filme mais fraco de Miyazaki justamente por ser simplório, sem nenhuma complexidade aparente e com personagens de fácil assimilação, bastantes comuns e humanos, para falar a verdade. Mas talvez as pessoas só não tenham reparado nos temas abordados dentro da narrativa do filme. Tonari no Totoro mostra muito mais do que crianças brincando na floresta.

Primeiramente, ele expõe uma densa relação fraternal entre, as completamente diferentes, Satsuki e Mei: a mais velha é calma, responsável e amável, enquanto a mais nova é corajosa, explosiva e temperamental (Mei fica ainda mais amável com a interpretação da queridíssima Chika Sakamoto *O*). Enquanto a mãe está fora, Satsuki é o pilar de Mei. Sem a irmã, a pequena se sente desprotegida e vice-versa.

No entanto, personalidades distintas sempre entram em conflito, mesmo que sejam complementares. E em Tonari no Totoro isso acontece tão naturalmente como na minha casa ou na tua. É aqui que entramos no clímax da história: após um telegrama, as irmãs se veem desesperadas com a notícia de uma possível piora da mãe. Mei, como qualquer criança da idade, quer ver a mãe e ficar perto dela. Porém Satsuki não pode levá-la, além de precisar avisar ao pai do que está acontecendo urgentemente. Elas brigam. Num impulso, Mei acaba fugindo e todos entram em desespero total. Começa, então, uma frenética busca por ela. As pessoas do vilarejo se reúnem e passam a procurá-la em todos os lugares possíveis, porém sem sucesso. Satsuki (que deve servir de exemplo para todos nós irmãos mais velhos) não vê outro jeito a não ser pedir pela ajuda de Totoro. Não vou contar o restante porque aí já seriam spoilers demais, e vocês não querem saber o final do filme, né?

Na minha concepção, Tonari no Totoro narra como as crianças enfrentam os grandes problemas que as atingem sem compreender muito o mundo que as rodeia. É sobre como a imaginação infantil pode ser uma poderosa aliada nos momentos mais difíceis. Neste caso, brincar com Totoro funciona como uma válvula de escape para as irmãs, que sentem a falta da figura materna e que vivem com o temor de uma possível piora. Além disso, Tonari no Totoro retrata um Japão interiorano ainda preso a tradições e arcaísmos, mesmo que as transformações proporcionadas pela Revolução Industrial comecem a penetrar nos vilarejos distantes das cidades. Todavia, isto é mostrado na narrativa de forma bem sutil, o que é uma pena, porque o filme passa uma bonita mensagem ecológica: aprender a amar e cuidar da natureza desde cedo. Estes aspectos dialogam muito bem se forem trabalhados com propriedade, ainda mais se o período em que a história do filme acontece estiver entre as décadas de 40/50/60 (especialmente o pós-guerra), quando o Japão passou a se “ocidentalizar”, por assim dizer. Neste sentido, posso dizer que a simplicidade do roteiro (apesar de eu gostar disso) é uma faca de dois gumes: ajudar na construção da narrativa e compreensão dos detalhes mais importantes por parte do espectador, mas que peca justamente em não aprofundar outros aspectos apresentados.

Finalizando, Tonari no Totoro é um daqueles filmes em que tu podes amar ou odiar. A história fantástica de duas irmãs que conhecem um ser lendário e se divertem com ele, apesar de ser bastante simplória, é capaz de te transportar para a tua infância e te fazer sentir saudades do tempo em que apenas a brincadeira era importante para ser feliz.

Positivo: simplicidade, personagens carismáticos, temas abordados.

Negativo: falta de aprofundamento em detalhes interessantes de serem visualizados.

Sobre Mimi

Ela não existe. Isto é apenas a sua imaginação.

2 comentários em “Quer brincar comigo, Totoro?

  1. Olá! É a primeira vez que visito o seu site e confesso que estou gostando bastante dos seus posts. Fiquei surpreso quando você disse que Totoro também tem pontos negativos, como também os citou. Tens bom senso crítico. Eu já assisti esse anime várias vezes e a cada vez que o assisto não consigo deixar de ficar maravilhado com ele.

    Um grande abraço e acompanharei seus posts. ^^

    • Ooooh! Muito obrigada primeiramente!😄

      Acho que nenhum filme é perfeito. Sempre tem um errinho aqui, outro acolá. Mas não é por isso que as obras se tornam piores. Quer dizer, existem algumas em que os erros são tão evidentes que é impossível não os mencionar. Não é este o caso de Tonari no Totoro, é claro. Pra mim que gostei muito do filme, o único problema é o excesso de simplicidade que deixa os temas abordados bem superficiais na narrativa. Mesmo assim, ainda é um filme maravilhoso que todos deveriam ter o prazer de assistir! \õ/

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