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Kimi to Boku – Quem disse que para um anime ser bom tem que acontecer alguma coisa?

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Kimi to Boku é um anime que leva à risca o gênero Slice of Life. Nada, absolutamente nada de inusitado, surpreendente, mágico, fantástico, incrível ou hiper moe acontece nesses 26 episódios. E não é apesar disso que Kimi to Boku é um anime de alta qualidade, mas sim por causa disso.  Continue lendo para entender o porquê.

Muitos animes quando querem destacar certa parte da trama apelam para efeitos sonoros marcantes, closes desnecessários, aperfeiçoam mais a qualidade da cena; em Kimi to Boku isso raramente acontece. O anime conta com o fato de que nós humanos temos uma tendência natural a reconhecer primeiro as boas expressões, aquelas com significados positivos (segundo a ciência). O que torna as cenas dramáticas muito mais naturais e agradáveis de serem assistidas.

O mundo dos animes é repleto de fantasias que escracham a vida real, fazendo com que a maioria se esqueça do quanto sua própria vida também é divertida, abandonando as memórias dos bons e simples momentos vividos por si mesmo.

É exatamente essa recíproca que Kimi to Boku tenta provar. Sem ecchi, ou drama forçado, sci-fi, aventura, lutas, ação, horror ou ao menos shounen-ai, através apenas do cotidiano sem purpurina só flores de sakura de um grupo de cinco amigos adolescentes, simples momentos da infância e do presente dos protagonistas. Mas também, repletos de significados que acabam por tornar a vida divertida e interesse de se viver ou como no caso, de se assistir além de algumas imagens de gatinhos fofinhos em uma cena ou outra.

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A história é passada numa época bem polêmica, triste, importante e comum da vida: os últimos anos de escola. O engraçado é que em Kimi to Boku eles não vivem aquele velho drama de “será que nós vamos continuar juntos para sempre?”. Simplesmente porque eles já estão tão acostumados com a presença uns dos outros que estar estudando junto ou não já não faz mais diferença. Nenhum deles tem grandes sonhos ou grandes objetivos e os romances são tudo que podem ser nessa época: inconclusivos.

Os episódios são leves e passam sem que você se dê conta; como uma estrela cadente porque são fáceis de entender, mas sem deixar de ser interessante, como conversar com os amigos depois da escola. O anime também tem muito mais garotos do que garotas, o que ajudou para que não caísse no clichê do moe, sem perder o charme.

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Mesmo com um caráter design impecável e uma trilha sonora contagiante, muitos ao dar o primeiro passo devem se perguntar se realmente vale a pena ver um anime que não fala sobre nada. Está aí o grande diferencial de Kimi to Boku: nada acontece, ponto. Mas nem por isso o anime não fala sobre nada.

“You and Me” (como é o título também popular em inglês) trata justamente sobre o que o nome da série indica que seriam todos os diferentes tipos de amor que cercam nossas vidas: o amor entre amigos que superam barreiras do tempo e das diferenças apenas para ficar juntos, o amor propriamente dito entre duas pessoas que desejam dividir o resto de suas vidas entre si, o platônico, o incondicional e exagerado amor dos pais, ou o mais traumático: o amor altruísta. Porém sem todo aquele drama e cenas fofinhas (lê-se forçadas), artificiais ou pacatas.

Uma personagem muito importante na construção dessa parte da trama é a Mary-chan  (Sato, Masaki), cuja toda presença mostra porque meninos “afeminados” e “desligados” são populares com garotas nessa época.

Masaki é uma adolescente pequena, gentil, tímida, exagerada e muito solitária. Ela mesma decidiu afastar a presença das outras pessoas de si mesma e evitar o mínimo contato possível, sendo arrogante e “má educada” o suficiente para contrariar tudo que ela realmente é, até o momento em que ela conhece um dos meninos, o Shun.

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Ele basicamente obriga Mary a aceitar sua bondade, o que faz com que a mesma acabe se apaixonando pela personalidade bondosa dele, e não pela sua aparência. Aos poucos também vamos descobrindo cada vez mais sobre Mary, sobre sua paixão e o porquê de suas escolhas, o que a torna cada vez mais cativante.

Mesmo que você não saiba o que tenha acontecido no episódio que acabou de ver, tem vontade de ver o próximo o mais rápido possível. Os personagens têm personalidades normais, porém marcantes; as cenas parecem ter sido elaboradas para construir uma aproximação entre os telespectadores e os personagens, quase que como de amizade e a maioria das pessoas sempre quer ver seus amigos de novo e de novo…

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Os cinco gigantes:

Matsuoka, Shun (A mãe)

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Num grupo de garotos, onde ninguém se preocupa com nada, era necessário alguém que se preocupasse com todos e tudo ao seu redor. E esse é o Shun, sim, ele é um garoto, isso fica mais visível depois que eles fazem certa coisa com o cabelo do menino, em certo episódio… Está para nascer personagem mais altruísta e inocente. Shun, com toda a sua elegância e simplicidade, tem uma tremenda dificuldade em entender as entrelinhas. Ele só consegue ver o que está a sua frente e ouvir o que lhe foi falado.

Uma pessoa doce que só gosta de outras coisas doces também (ele odeia café, por exemplo). Shun tem a habilidade de ver o lado doce e fofo da vida, o lado cor de rosa. E dá o seu máximo quando o assunto é cuidar de um amigo.

Tsukahara, Kaname (O “sério”)

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Kaname é o tipo de cara que tenta: tenta se preocupar com os estudos, tenta levar tudo a sério, tenta dar o seu máximo, tenta alguma coisa com a professora pela qual é apaixonado desde que frequentou o maternal. Presidente de classe, se irrita muito facilmente, sempre com uma expressão séria, preocupada ou irritada de quem tem muito o que fazer. As cenas em que o Kanamecchi sorri, ou seus olhos brilharam de paixão, são realmente mágicas simplesmente por que isso não é de seu costume.

Asaba, Yuuki  (O otaku)

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Yuuki é um cara habilidoso, invejável, que poderia fazer basicamente qualquer coisa, mas não há nada que realmente o interesse fazer, problema que aposto que muito de nós otakus vivemos. A única coisa em que ele realmente se interessa é ver animes e ler mangás. Não criá-los, somente admirá-los, o que é realmente uma situação muito frustrante na hora de escolher um clube ou uma profissão. Muito dependente dos amigos e do irmão, Yuuki é um cara simples de poucas palavras, engraçado (lê-se bobo da corte) que nunca perde a chance de se divertir (mesmo que a custa dos seus amigos).

Asaba, Yuuta (O necessário)

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Eu deveria dizer que Yuuta é o total oposto do irmão. Responsável, dedicado, popular com as garotas, disciplinado e decidido, nunca desperdiça seu tempo. Mas ao longo do anime, principalmente nas cenas de comédia que são basicamente construídas por esses dois, você percebe que os dois têm muito mais em comum do que parece, e que assim como Yuuki, Yuuta nunca perde a piada. Yuuta sente que os amigos e principalmente seu irmão precisam dele, então ele simplesmente assume isso e veste a camisa.

Tachibana, Chizuru  (O sorridente transferido)

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Kimi to Boku não seria o que é sem os sorrisos do Chizuru e seus cabelos loiros de um quase japonês. É aquele tipo de pessoa que faz amizade com tudo e todos, não importa a raça, a cor, a personalidade; basicamente se você gostar dele ele também vai gostar de você. Shun vê a vida cor de rosa, Chizuru vê a vida colorida. Quando eu falei anteriormente em “amor altruísta” me referia a ele, pois em certo ponto, de tão apaixonado por certa garota, ele decide deixar que ela vivesse sua própria paixão e a ajuda a conquistar quem ela ama para que assim ela pudesse ser feliz, mesmo que isso custasse parte de sua própria felicidade.

Há também uma sequência de personagens secundários, todos com histórias pessoais interessantes e únicos na série. Mesmo que com pouco destaque, cada um deles tem seu papel importante na construção da trama. Uns apaixonados pelos meninos, outros tomados pela paixão dos meninos, outros que servem de modelo para eles, ou simplesmente colegas, amigos e companheiros que passam em nossas vidas, mas param nessas épocas.

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Temos todas aquelas cenas típicas de específicas épocas do ano, que não podem faltar em todo anime, como as do primeiro dia de aula, Natal, Ano Novo, todo mundo de yukatas e kimonos, fogos de artificio é claro. Cenas clichês com um toque de diferencial e complicações que só podem aparecer nessas épocas do ano contribuem para cenas divertidas até mesmo pela estupidez dos garotos, e para a aproximação personagem/telespectador criada pelo anime.

Os últimos episódios conseguem chegar a um ponto conclusivo da trama, englobando tudo que já aconteceu até então, mas como nada realmente mudou mesmo com o último ano de escola dos garotos. E o último episódio do anime acaba esteticamente como começou o primeiro, justamente para “fixar” essa ideia de que tudo muda um dia, mas permanece do mesmo jeito.

Um ponto negativo na série é o lado clichê do “Yuuki” que estamos cansados de ver nos animes dessa década e da década passada, esse lado dos personagens de “sou foda” ding, din, ding, din, sou bom em todos os esportes, em todas as matérias, não ligo pra nada, toma essa… 1- Esse tipo de pessoa é imaginária, over power ou o Goku. 2- Ninguém merece mais isso, já deu o que tinha que dar, chega.

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7 comentários em “Kimi to Boku – Quem disse que para um anime ser bom tem que acontecer alguma coisa?

  1. Comecei a assistir Kimi to Boku por pedido de uma amiga, mas logo larguei porque não me prendi muito, a história segue muito calma (acho que não dá para esperar algo diferente de puro slice of life). Depois vou dar uma segunda chance para terminar esse anime, porque realmente não deixa de ser divertido e engraçado de assistir, só não fez o meu tipo até onde eu vi. E, por sinal, você notou os gatos! Impossível não notar, aparecem em quase todo intervalo entre as cenas.
    Sua review está ótima, em nenhum momento a leitura ficou cansativa. Outra coisa que achei incrível é que você soube explorar os personagens sem sair das personalidades deles. Continue fazendo reviews assim que está bom demais!

    • Vale a pena dar um segunda chance, principalmente pra segunda temporada onde algumas coisas fora do cotidiano mas dentro do normal começam a acontecer…

  2. Gostei do texto, só discordo do final, já conheci gente “overpower” assim, nao é tao cliche quanto se pensa… E aliás, acho a inocencia do Shun bem mais clichê. Mas Kimi to Boku é muuuito bom e recomendadissimo, as coisas acontecem, te envolvem, mas nada muda e tudo muda, oq é muito bem feito, parabens e até a próxima!

    PS: Aquele ANo Novoe natal parece cliche mas é tpw Roberto Carlos no Fim de ANo da Globo, ou Natal e ANo Novo nas novelas, com eles na praia de branco com fogos. É pq é o costume comum, mas nós que nao vemos muitos kimonos, festivais e fogos de mão😄

    • Eu amo esses episódios “de época”, e não importa em que lugar do mundo, as festas de fim do ano nasceram para ser um “clichê real”. A inocência do Shun é bem comum mesmo, o que quebra mais a personalidade dele é o fato de ser tão inocente que parece uma menina e deixar de ser o pegador das balada -q

  3. Gostei gostei, muito bom. Como sempre uma boa ”analise”, continue assim.

  4. Primeira Vez que vejo um review positivo de Kimi to Boku! Tive exatamente o mesmo pensamento que você do anime. Incrivelmente, foi um dos meus favoritos do ano passado, mas não tinha visto ninguém que também tivesse gostado…Ótima review, continue com elas

  5. Eu disse que tem que acontecer poxa, colocando assim até parece que o anime é sem vida

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